
“Pum catrapum pum, pum catrapum pum”,
assim, todas as noites, tal e qual.
Ritmo como este nunca ouvi nenhum,
nem um concerto a vozes tão banal.
É sempre a mesma coisa. À mesma hora.
Já sei tudo de cor, está no ouvido.
Este casal que aqui por cima mora
não consegue passar despercebido.
Diz ela: “mete agora, assim, mais fundo…”,
Riposta ele: “isto é o fim do mundo!”,
fazendo o melhor de que é capaz.
Nestas casas do século dezoito,
chamadas pombalinas, não há coito
que nos deixe dormir a noite em paz.
Joaquim Pessoa
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